PbM Michael Collins - Amahan Iduth dulesh'na

Entregou a passagem à bela comissária que guardava o portão de embarque do voo 2483 da Lufthansa de Oslo para Londres. O terminal 3 estava praticamente vazio, apenas alguns executivos grossamente encasacados e um casal de jovens devidamente equipados com suas grandes bolsas de acampamento e duas pranchas de snowboarding. Caminhou despreocupadamente até o avião, espremeu-se no 41-A na ala executiva, esperou alguns minutos e pediu à aeromoça algo para beber, depois fez um gesto sutil com a mão, mostrando que o cabelo da moça estava desarrumado.

Ela trouxe suco industrializado de morango. Com um sorriso cativante e algumas palavras, convenceu-a a trazer algo mais forte - quem sabe gin e tônica -, sentenciou com uma piscadela. A jovem comissária não se demorou a trazer a bebida, deixando-o sozinho com seus pensamentos.

Enfiou a mão no bolso e puxou uma pequena e lascada pedra, de cor acinzentada e aparência velha, desgastada. Havia um desenho, uma marca gravada em um dos lados do objeto. Tinha forma espiralada, mas a gravação era muito antiga e mal feita para se ter certeza. Uma corda de couro enrolava-se ao redor da pedra triangular e caía de sua mão numa longa volta que já havia pousado em seu pescoço.

Enquanto o avião procurava atingir altitude de cruzeiro, olhou para baixo pela janela e despediu-se novamente de seu amigo Johan. Sentia-lhe a falta e, apesar de sua aparência dura e comportamento distante, sabia que o gigante nórdico também sentia a sua. Pensou, então, na velha Brunhild.

A conversa com a velha havia mexido profundamente com sua mente. Seu primeiro encontro com ela já tinha sido estranho o suficiente, mas precisou visitá-la novamente para adquirir mais informações sobre aquele estranho presente. A pedra encarava-o, impassível, deitada sobre a mesinha reclinável puxada do assento a sua frente. Procurou fazer o que a velha mandara; esvaziou a mente e concentrou-se na gravação espiralada, tentando abafar os sons a sua volta e imaginar-se flutuando num lago calmo e escuro.

Viajou lentamente pelas ruas claras de Lom, lembrando-se de como foi visitar lugar tão inóspito, tão hospitaleiro e tão naturalmente belo. Afastando-se para o leste, revisitou os grandes pastos onde cabras e ovelhas dividiam espaço com búfalos e cervos. Enquanto subia a colina que rodeava o grande lago Ârsjo viu a casa de Brunhild. Voltou-se para lá, querendo ver o que a senhora de mãos pequenas e rápidas fazia. Viu-a abrir a porta e convidar-lhe a entrar. O escuro do grande aposento só não era tão intimidante quanto o cheiro pungente que saía do caldeirão ardendo sobre a fogueira no meio da sala. As peles cobriam todo o lugar, brancas como a neve lá fora, criando um contraste duro e estranho com as trevas e a fumaça.

O rosto enrugado da velha era como papel amassado, escurecido pela disforme sombra feita pelo enorme nariz quadrado. Mexia-se pelo salão junto com outras cabeças que ele já havia visto. Eram de alces, linces, raposas, ursos e veados; todas dançavam ao seu redor entoando um murmúrio muito grave e incompreensível, sussurrado como um mantra. O cheiro forte passava-lhe à língua um sabor amargo de álcool e um zumbido baixinho incomodava-lhe constantemente.

Conversava com a velha, mas não ouvia sua própria voz, apenas o que ela lhe dizia, e mesmo assim não compreendia-lhe a língua - mas vinha-lhe à mente a palavra Uremehir. Falaram por muito tempo até que começou a perceber que afundava lentamente num lago. Tentava nadar, mas os movimentos, lentos como num sonho, não surtiam efeito algum. Entregou-se ao desespero, sem saber o que viria a acontecer, quando sentiu um solavanco e, abrindo os olhos forçosamente, viu-se novamente sentado no 41-A do voo 2483 Oslo-Londres. O copo vazio a sua frente ainda trazia o cheiro amargo de gin e o suor em seu rosto salgava seus lábios.

O avião acabara de pousar. Embora tivesse tentado diversas vezes alcançar esse transe com Brunhilde, foi num avião que conseguiu atingi-lo. Guardou a pedra no bolso do sobretudo e pegava sua bolsa no compartimento sobre os bancos quando pensou em algumas palavras. Não sabia seu significado, mas sabia que seriam importantes em algum momento de seu futuro. No salão de desembarque do aeroporto de Londres pediu uma caneta a Paul, que o aguardava há pouco mais de uma hora. Partiram para casa enquanto escrevia no dorso da mão esquerda "Galer Za Da Har".

Um comentário:

Unknown disse...

Miau, vc recebeu 3 de xp. 1 por ter feito esse pbm, mais 1 por ter descoberto toda a extensão do poder da pedra encantada, e mais 1 por...

Parabéns! Você desbloqueou um Relatório Confidencial! As suas explorações e buscas por conhecimento fizeram você obter acesso às informações secretas do Relatório #104 "Encantamentos de Origem Lupina".

Esse pbm foi apenas uma parte de tudo que aconteceu. Em breve eu postarei a continuação da história e também o próprio relatório, que vc poderá ler, analisar e tirar suas conclusões.