[chapter 5] O Último Rei pt.2

Com o celular de Mike caindo na caixa postal sem parar e sem o tempo necessário para fazer o ritual de invocação de Rooney, os agentes se preparam para o grande baile de comemoração dos 18 anos de Sophie Archer. Apolo havia recebido há poucas horas, mas já brigava com o alfaiate da cidade, tentando alinhar a lapela de seu blazer. Enquanto isso, Ramanujan e Connor procuravam uma maneira de entrar na festa sem chamar a atenção.

Depois de um tempo na frente do computador, o indiano consegue acessar a lista de funcionários escalados para a festa no servidor da produtora de eventos. Incluídos seus nomes, bastava entrar com as armas escondidas e seguir caminho para a mansão. Connor adesivou suas armas ao corpo, junto com as de Apolo, para ele não levantar suspeitas. O trabalho foi duro durante a preparação do evento, e piorava quando os dois pensavam que Apolo estava em um salão de beleza sendo tratado como um lorde. Mas as horas se passaram e o grande salão de festas na Mansão Archer estava cheio com seus ilustres convidados. Presidentes, embaixadores, xeques, nobres e celebridades mundiais compunham a corte que viera prestigiar a ocasião, revelando que a festa era muito mais política do que se imaginava.

A mesa principal, composta pela família Archer, trazia uma de suas cadeiras vazias, a do padre François, que deixou muitas feições intrigadas. Além disso, um de seus assentos estava ocupado por alguém de fora da família, o sobrinho do patriarca sr. Archer. O assento pertecia originalmente a Walter Archer, ou Walter Baumgarten, como Apolo o conheceu durante anos. Apenas Ramanujan percebeu esse estranho e curioso detalhe. Enquanto isso, Apolo conversava com Sophie sobre o mundo da música. Ou melhor, ouvia-a desabafar sobre todos os seus sonhos de se tornar a próxima Britney Spears ou Christina Aguilera. Tentando sempre se aproximar, Apolo prometeu-lhe um encontro com o rapper e produtor Timbaland.

E foi quase quando estava sendo levado para o pequeno estúdio da menina que tudo aconteceu. Já de pé, pronto para ser levado aos aposentos de Sophie, Apolo ouviu um grito agudo de pavor. Ao seu redor, pessoas se amontoavam umas nas outras para fugir do salão, enquanto outras se aglomeravam ao redor de uma mesa onde um senhor negro jazia desmaiado sobre seu prato. O plano inicial dos agentes era de colocar tranquilizantes em alguma taça e criar uma distração com um desmaio. Infelizmente, Connor dopou justamente a taça que serviu o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Em questão de segundos o salão já havia sido tomado pelos seguranças e por outros homens de terno escuro, mas esses com armas nas mãos. Todos cercavam o presidente caído enquanto outros seguranças guiavam suas respectivas celebridades para fora do lugar. E foi no meio desse pandemônio que Ramanujan, Connor e Apolo espreitam até a cozinha e usam o monta carga para alcançar o terceiro pavimento da mansão.

Verificando a planta da casa em seu smartphone, Ramanujan havia descoberto uma sala sem portas ou janelas no terceiro pavimento, ao lado da suíte principal da casa. Mas após uma minuciosa vasculha no quarto do sr. Archer, nada foi encontrado além de um cofre muito bem fechado. Como o sótão não tinha contato com essa sala, a única alternativa seria entrar por baixo. Então os investigadores desceram e encontraram no segundo pavimento uma sala de leitura com objetos antigos, uma lareira e uma poltrona sobre um tapete de urso. Enquanto Connor olhava parado atentamente para tudo ao seu redor, Ramanujan sentou na poltrona. Apolo nem percebeu quando o doutor pegou um charuto na mesinha ao lado da poltrona e o acendeu; mas reparou que havia algo estranho ao ver o cientista puxar um bombom de licor de uma caixinha da mesa e comê-lo com muita satisfação.

Chamando sua atenção para a situação, Ra
manujan responde que ainda não era tempo de fazer outra coisa, pois gostaria de fumar seu charuto e comer seu chocolate. O comportamento estranho fez Apolo perguntar quem estava falando, e Connor ficou pálido ao ouvir as palavras "Walter Baumgarten". Apolo e Connor arrancaram Ramanujan da poltrona, que acordou sem saber porque havia agido daquela maneira. Com medo de tocar em qualquer outra coisa, todos passaram a olhar tudo ao redor. Entre os vários quadros nas paredes, Apolo reparou que um deles tinha Baumgarten pintado, quando Connor e Ramanujan chamaram sua atenção para o quadro sobre a lareira.

No centro do quadro, como um nobre guerreiro se erguia o senhor Archer, coberto por vestimentas de guerra e empunhando uma espada de lâmina larga e brilhosa. Ladeado por sua neta Sophie e sua mulher, Helen Archer, duas ninfas esculturais e de idade não condizentes com as pessoas que os agentes conheceram. No fundo da pintura, a sala onde eles mesmos estavam no momento, mas com uma pequena escada nos fundos. Connor observa atentamento o lugar onde deveria haver a escada e encara uma cópia da Vênus de Milo. Girando-a em seu eixo, é possível ouvir um claque e uma escada desce silenciosamente do teto. Na sala superior, feita em pedra nua, Archer esperava os agentes amolando sua espada, vestido da mesma forma que na pintura, com o mesmo olhar austero.

Um pequeno diálogo se segue, quando Apolo descobre que o velho Archer foi o único a conseguir terminar o ritual que seu pai morreu tentando fazer. O mesmo ritual que muitos morretam tentando completar, e que fez com que Baumgarten perdesse o coração. O velho estava usando de seus novos poderes para reconstruir seu corpo, torná-lo jovem novamente, para fortalecer ainda mais seu poder. Mas Archer, contando com uma vitória fácil já que balas normais não afetariam sua armadura, não sabia que Apolo havia levado seu Dragão Inglês. Apenas um tiro foi o suficiente para abrir um rombo em seu peito e enfurecê-lo ainda mais.

Enquanto Connor usava uma tapeçaria do quarto para apagar o fogo azulado da lareira, Ramanujan mirava na cabeça do velho, a fim de ignorar os poderes da couraça em seu peito. Connor conseguiu apagar o fogo, mas não sem antes sofrer terríveis queimaduras que o apagaram; e faíscas ainda irromperam em chamas maiores quando caíram sobre um círculo mágico gravado no chão de pedra. Archer conseguiu ferir gravemente Apolo, talhando seu peito e quase o cortando em dois. Ramanujan perdeu muito sangue com um corte profundo na barriga, mas logo depois de Apolo disparar um segundo e poderoso tiro no guerreiro, o indiano explodiu sua cabeça com um tiro certeiro e mortal.

Entretanto, o som de sua queda foi abafado pela risada maléfica de Baumgarten, o fantasma que Archer havia aprisionado nesse mundo como um escravo. Agora livre, o monstro poderia fazer o que bem entendesse, e isso significava acabar com a vida de seus libertadores. Tapeçarias, quadros e objetos menores começaram a voar de encontro aos agentes, mas Apolo aproveitou que o círculo mágico já estava ativo e proferiu as palavras certas para conjurar um ritual de banimento, expulsando o espírito de Baumgarten de uma vez por todas para o outro mundo.

Horas depois, foragidos da festa e instalados num hospital em uma cidade próxima, Apolo lê o jornal enquanto assiste a enfermeira tratar das queimaduras de Connor. Ramanujan, que já estava se sentindo melhor, repousava numa poltrona em frente à tevê. Quando o telefone toca, Ramanujan o atende e ouve uma voz familiar. Entre soluços e lágrimas, o indiano reconhece a voz de seu pai, desesperada, até que o choro é interrompido por um estampido alto e grave, como uma pequena explosão...

"Não estamos brincando, doutor, nós queremos a fórmula e vamos consegui-la."

Um comentário:

Daniel PiPi Júnior disse...

Caralho!!! MUito bom!!! Bem que tu falou que ia voltar a perseguição pela fórmula! Mas vamos lá, temos capacidade pra defendê-la da maneira correta!

Abraços!